Convite lançamento “Vigiando Pensamentos”

Vigiando Pensamentos” é um livro que aborda o impacto dos nossos pensamentos, cognições, crenças e autoconceitos limitantes, principalmente aqueles que trazem adversidades para a nossa vida. Ele aborda, de forma simples e lúdica, a importância de cuidarmos dos pensamentos evitando assim, a manutenção do sofrimento humano.
O Livro é baseado nos conceitos de Mindfulness (Kabat-Zinn, 2005) e também nos modelos teóricos contextuais: A Teraia de Aceitação e Compromisso (Hayes, Wilson e Strosahl, 2012) e a ciência da compaixão ( Neff, 2011; Gilbert, 2014).
Esperamos vocês dia 25 de Novembro às 15:00 na Livraria da Vila Al Lorena, 1731

lançamento

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Uma parábola sobre autoconfiança

Um dia, um sábio recebeu um jovem que lhe pediu um conselho:

— “Mestre, venho porque me sinto tão inferiorizado que não tenho forças para fazer nada. Me dizem que não presto, que não faço nada direito, que sou desajeitado e tolo. O que faço para melhorar? O que devo fazer para que me deem mais valor?”

E o mestre lhe disse:

— “Sinto muito, meu caro. Não posso ajudá-lo. Tenho de resolver primeiro meu próprio problema. Talvez depois…”

E, após uma pausa, prosseguiu:

— “Mas, se quiser me ajudar, resolvemos o meu problema mais rápido e, depois, cuidamos do seu problema, se der tempo”.

— “Ok, mestre”, titubeou o jovem, mas sentindo que mais uma vez era desvalorizado, pois a solução de seus problemas seria postergada novamente.

— “Bem”, disse o mestre. Tirou um anel que usava no dedo mínimo, deu ao discípulo e disse:

— “Pegue o cavalo que está lá fora e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho de pagar uma dívida. Preciso que você obtenha por ele o maior valor que conseguir e não aceite como pagamento menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com essa moeda o mais rápido que puder”.

O jovem pegou o anel e partiu. Chegou no mercado e começou a oferecê-lo aos mercadores, que olhavam a joia com algum interesse. Porém, bastava ouvirem o preço do anel e, quando o jovem mencionava a moeda de ouro, uns riam, outros viravam a cara e somente um velhinho foi sincero e paciente o suficiente para explicar que uma moeda de ouro era muito por aquela joia. Alguém lhe ofereceu uma moeda de prata e uma moedinha de cobre, mas o jovem tinha instruções claras de que não poderia aceitar menos que uma moeda de ouro e recusou todas as ofertas.

Quanto quisera ter a moeda de ouro. A moeda! Ela liberaria o mestre de seu problema para, assim, ajudar o jovem. Triste, subiu em seu cavalo e voltou a seu guia.

— “Mestre, sinto muito. Não consegui fazer o que você me pediu. Talvez pudesse obter duas ou três moedas de prata, mas não creio que possa enganar a ninguém a respeito do verdadeiro valor desse anel”.

— “Me disseste algo importante, meu jovem amigo” , disse, sorrindo, o mestre. “Devemos saber, antes de mais nada, o verdadeiro valor do anel. Volte ao cavalo e vá a um ourives. Quem melhor que ele para saber? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto pagaria por ele. Mas, não importa quanto ofereça, não o venda. Volte com o anel!”

E lá se foi o jovem.

Com sua lupa, o ourives examinou o anel à luz de uma lamparina, pesou a joia e respondeu:

— “Diga ao mestre, meu rapaz, que se quiser vender agora, não posso pagar mais que 58 moedas de ouro”.

— “58 MOEDAS!” — exclamou o jovem.

— “Sim, respondeu o ourives. Com um pouco de tempo, poderíamos vendê-la por 70 moedas. Mas, se é urgente…”

E o jovem voltou, emocionado e esbaforido, para contar a grande novidade.

— “Sente-se” , disse calmamente, o mestre, após ouvir a história.

“Você é como um anel: uma joia única e valiosa. E, como tal, só um expert pode lhe avaliar”.

-Autor desconhecido

Cada um ama a seu modo

Todos aqueles que fazem parte da sua vida estão amando você da forma que eles conseguem.
Da melhor forma que eles conseguem, aliás.
O coração deles está ou aberto ou fechado da maneira que é possível estar.
Essas pessoas podem estar lidando com momentos de tristeza, muitos medos, frustrações ou elas mesmas estarem desesperadamente em busca de amor. Pode ser um amor de pai, de mãe, amor de amigo.
Quando tentamos conseguir o amor das pessoas, dependemos de como o coração delas está.
E quando percebemos um coração fechado, por exemplo, lutamos com ele, queremos que ele se abra, que ele nos diga como somos importantes ou o quanto de amor por nós existe ali.

Quando deixamos de buscar pelo amor dos outros
Descobrimos nossa verdadeira natureza
Observamos que o amor floresce em nosso próprio coração
E assim, nos tornamos livres.
Paramos de perturbar o outro para que ele nos ame. Não batemos mais o pé, deixamos de exigir.
E a busca pelo amor de fora acaba.
A partir deste momento, deixamos que as pessoas nos amem da forma que elas sabem ou querem. E se quiserem.
Mesmo que seja da forma “limitada” que achamos que elas nos amam.
Porque, do ponto de vista da abundância, mesmo o amor “limitado” deve ser honrado. O “limitado” nada mais é do que um crivo da (nossa) mente.
E a partir daí, deixamos que o outro nos ame da forma que ele consegue.
Pode ser até que ele nem consiga
Mas deixamos ser do jeito que ele puder.
Machado de Assis dizia: “cada qual sabe amar a seu modo”.
Mesmo que ainda não seja a nossa maneira,
Ainda assim é uma forma de amar.

Karen Vogel + Jeff Foster (+ Machado de Assis)

Será que isso é amor?

“Eu não posso viver sem você”.

“Você me completa”.

“Sem você eu não sou nada”.

“Nunca me deixe”.

  Nos venderam uma bela mentira sobre o amor. E, em nossa inocência, acreditamos na mentira como verdade. Porque todos ao nosso redor estão fazendo o mesmo. Todos estamos com tanto medo de estar sozinhos, que tememos mergulhar na alegria oceânica de nossa própria solidão para encontrar segurança lá.

  Infelizmente, ninguém está vindo para nos salvar. Nenhum príncipe encantado num cavalo branco. Nenhuma Julieta. Ninguém será capaz de tirar essa nossa dor, esse sentimento de vazio, a sensação de separação e de abandono que está conosco desde que éramos pequenos. Ninguém será capaz de sentir e metabolizar os nossos sentimentos para nós. Ninguém tem o poder de nos distrair permanentemente.

  E é assim que muitas pessoas estão à procura do amor. E vivemos procurando por essas pessoas por aí: aplicativos de relacionamentos, Facebook, amigo do amigo. Tentamos agarrar um amor que parece estar sempre escorregando por entre os dedos. Quando perdemos um amor, imediatamente tentamos consegui-lo de volta, de qualquer jeito.

  Corremos mais e mais de nós mesmos, em busca de algo que nunca vai chegar, ainda sonhando com a nossa “cara metade” ou aquele que vai nos completar, nos salvar, nos dar segurança psicológica, ser uma mãe perfeita ou o pai que nunca tivemos.

 Claro, isso não é amor. Isso é medo. Um vôo urgente da solidão.

 Adaptado de Jeff Foster por Karen Vogel

Como não ter mais problemas

Amei este texto do Gustavo Gitti, que saiu na revista Vida Simples. Ele fala sobre como a nossa mente é adicta a criar problemas e como a resiliência pode nos ajudar.

  Durante um chá, café ou Skype, enquanto a pessoa conta sobre seu relacionamento, uma parte de mim compreende o quanto a história é mesmo complicada, mas a outra parte pergunta: onde exatamente está o problema? Desconfio que ela só reclama de algo específico porque ainda não desistiu da esperança de se relacionar sem complicações. Ora, enquanto nossas mentes forem embaçadas e tensas, sem treinamento algum, como esperar que nossas relações sejam diferentes? Porque podemos trabalhar com qualquer situação, não seria errado dizer que ninguém tem problema. O problema começa quando a pessoa tranca, risca uma linha e diz: “Isso é um problema, isso não deveria acontecer, agora eu tenho de fazer algo diferente do que eu gostaria!”

  Imagine que eu faça uma trilha para chegar o quanto antes a um lugar onde serei benéfico. Sou picado por alguns mosquitos, começo a me debater, me jogo no chão e fico ali, gritando e chorando. Sofrimento é isso. O problema nunca é a picada, nunca é o que acontece, mas nossa incapacidade de seguir — e toda a cadeia de reações a partir do momento em que trancamos. Ora, após a picada, o que preciso fazer não é diferente: é a mesma coisa que eu estava fazendo. Basta seguir respirando e avançando. Mesmo se a picada for venenosa, seguir significa buscar um antídoto, uma injeção, mas é seguir, não é travar.

  Onde está o problema? Um buraco, um mosquito, uma tempestade, um assalto não são coisas externas à trilha, não nos tiram da trilha. A trilha é isso! Traição, morte, doença, dívida, brigas, adversidades, nada disso é externo à vida. Quando alguém nos trai, onde está o problema? Sofremos quando não conseguimos seguir e reconhecer o obstáculo como o próprio caminho para mais equilíbrio, sabedoria e compaixão. Para uma pessoa que ainda não descobriu seu potencial interno, sim, um problema é realmente um problema — não adianta fingir que não é. Mas para uma pessoa que tem métodos de transformação, quanto maior o problema, maior a oportunidade de abrir o coração, liberar as fixações mentais, oferecer, ajudar.

  Quanto maior a bolha de seriedade, maior o sorriso necessário para atravessá-la. Mesmo a pior situação é aproveitada. Tudo se torna uma diversão. Conseguimos apreciar e nos deliciar com qualquer experiência, venha como vier, do jeitinho mesmo que vier. Não mais rejeitamos a vida. Nesse sentido, nossa prática é seguir. Incessantemente, sem travar. Quanto mais fazemos isso, mais nossa energia se torna autônoma, sem depender tanto do que acontece ao redor. Destemidos, estáveis, e também relaxados, sensíveis e disponíveis, nos capacitando para sermos úteis quando tudo desabar.

  A palavra em sânscrito para essa qualidade a ser cultivada é virya, ora traduzida como esforço, diligência ou perseverança. A melhor tradução que já ouvi é “energia constante”. Constante porque ela surge não pela força pessoal de carregar um fardo, mas da própria vida, que segue e nos desafia a seguir junto.

O que é autocompaixão?

 

             Este texto surgiu de uma dúvida de uma das pessoas que convidei para o lançamento do meu novo livro sobre autocompaixão “Quando aprendi a me amar” (convite em anexo!). Ela responde meu convite da seguinte forma: “Querida Karen, vou sim no lançamento mas me explique, o que é autocompaixão?”

           Como a resposta parecia complexa e bastante pertinente, achei melhor escrever este texto para entendermos melhor sobre o tema. Para iniciar, talvez fosse importante começarmos com o conceito de compaixão. O termo tibetano para compaixão é nying je, que significa “conotação amorosa, afeição, gentileza, generosidade”. A compaixão entra em evidência quando o mundo enfrenta questões como as crises econômicas, as disputas religiosas, o preconceito e outras questões que tem favorecido a necessidade de uma maior cooperação e menor competição entre as pessoas. Assim, a compaixão seria fundamental para a natureza do coexistir em grupo e para a nossa adaptação ao meio.

             Paul Gilbert (2014) define compaixão como uma consciência profunda do sofrimento de uma pessoa ou dos seres humanos e um esforço para amenizá-lo. Assim, observamos na definição deste autor que dois aspectos são fundamentais para definirmos se o que sentimos pode ser compaixão ou não: 1) a presença de sofrimento e 2) uma ação para o amparo, acolhimento ou diminuição do sofrimento. Vejamos um exemplo: se estou com dor de cabeça, uma pessoa pode perceber que estou em sofrimento e oferecer um analgésico. Neste caso observamos: 1) a presença do sofrimento (dor de cabeça) e 2) uma ação de amparo, acolhimento ou diminuição do sofrimento (oferecer um analgésico).

         Utilizamos o termo compaixão quando falamos desta sensibilidade ao sofrimento de outras pessoas. A sensibilidade ao nosso próprio sofrimento nomeamos como autocompaixão. Pema Chödron (2007) diz que apenas quando conhecemos a nossa própria escuridão nós podemos estar presentes na escuridão do outro.

            Por que é tão difícil manifestar o mesmo carinho e cuidado que oferecemos para as pessoas que amamos para nós mesmos? Por que somos tão duros e críticos conosco em momentos que precisamos de amparo e aconchego? Por que não nos tratamos com a mesma sensibilidade que tratamos as pessoas que amamos?

         Estas são as perguntas que a ciência da autocompaixão tem procurado responder. Pesquisadores ao redor do mundo estão cada vez mais interessados nos efeitos que a compaixão pode trazer para o manejo do sofrimento e estão em busca de compreender como isso se dá. Kristin Neff (EUA), Paul Gilbert (Inglaterra), Karen Armstrong (Inglaterra), Kristhopher Germer (EUA), Thupten Jinpa (Tibet / EUA), Javier García Campayo (Espanha), Lama Tenzin Negi (EUA) e os ensinamentos do Budismo Tibetano pelo Dalai Lama são bibliografias significativas sobre o tema. Alguns autores desenvolveram propostas terapêuticas e até mesmo modelos de psicoterapia individual que visam o desenvolvimento e o treino da compaixão e da autocompaixão.

          Cenas do próximo capítulo: para este texto não ficar muito longo, prometo escrever em um próximo post sobre alguns dos componentes da autocompaixão: a gentileza, mindfulness e a humanidade comum. Espero todos no dia 6 de Novembro!

Referências:

Chodron, Pema (2007). The places that scare you: a guide to fearlessness in difficult times. NY: Shambala

Gilbert, P. e Choden (2014). The Mindful compassion. EUA: New Harbinger

 

 

 

 

O que fazer com essa sensação de vazio?

    Muitas pessoas sentem uma sensação de vazio. É assim, como se algo nos tivesse faltando. Muitos de nós sentimos assim em alguns momentos da vida, outros de nós permanentemente. Procuramos em vários lugares preencher esse vazio: na comida, nos relacionamentos amorosos, em viagens, comprando sapatos ou relógios. E muitas vezes não conseguimos identificar exatamente por que nos sentimos assim. Colocamos a culpa naquela rejeição, ou na falta de propósito da vida, no tédio, por não termos um número suficiente amigos, ou por inúmeros outros motivos. Mas continuamos sem saber sobre esse vazio, essa sensação de que algo nos falta. Uma sensação tão humana e ao mesmo tempo tão incômoda.

    O autor americano Bob Hoffman nos ensina que no núcleo do vazio, encontra-se uma falta de amor por si mesmo. Um artigo publicado no HuffingtonPost.com, escrito por Margaret Paul, vai além: “Há apenas uma coisa que realmente preenche o vazio: o amor. Há apenas uma causa para este vazio interior: a falta de amor. Mas não é uma falta de amor de outra pessoa que faz com que o seu vazio seja preenchido. O vazio interior é causado pelo autoabandono, por não amarmos a nós mesmos “.

    Aristófanes, um dos participantes do famoso diálogo platônico escrito por volta de 380 a.C. O Banquete, diz que no início dos tempos os homens eram seres completos: possuiam duas cabeças, quatro pernas, quatro braços, o que permitia a eles um movimento circular muito rápido para se deslocarem. Zeus resolveu castigar os homens por sua rebeldia contra os Deuses e tomou na mão uma espada e cindiu todos os homens, dividindo-os ao meio. Dessa forma, os homens sairam à procura da sua outra metade. Tendo assumido a forma que nós temos hoje, os homens procuram, pois a saudade nada mais é do que o sentimento de que algo nos falta, algo que era nosso antes e que agora nos falta.

    A sensação de vazio, portanto, já era descrita na época “antes de Cristo”. O Banquete de Platão evidencia esta parte dos seres humanos que estão em busca daquilo que falta e que muitas vezes procuramos em um relacionamento amoroso, na busca por nossa metade complementar. Mas agora, nós sabemos que nenhum homem ou nenhuma mulher fará nossa sensação de vazio ser curada. A cura para o nosso vazio estaria, segundo Hoffman e Paul, em nosso próprio amor.

    Temos todas as razões do mundo para amar a nós mesmos, agora mais do que nunca. Mas quando se trata de se engajar neste exercício, ficamos sem saber o que fazer. Para nos ajudar nesta habilidade, Paul sugere algumas práticas:

  • Olhar no fundo dentro de si para entender o que sentimos, isso pode se dar através da prática da meditação. É preciso coragem para olhar de frente as nossas feridas e aprendermos a amar nossas cicatrizes, mas este é um passo necessário no caminho para o amor próprio.
  • Podemos tomar uma decisão: fazer uma escolha de continuar a amar a nós mesmos não nos importando o que as pessoas pensam de nós, quais os erros que cometemos, ou quais caminhos tomamos na vida.
  • Nos envolver em atividades que nos faz sentir bem.

Eu acrescentaria um mais um item, a partir dos estudos da ciência da compaixão:

  • Observar a forma como nos tratamos. A autocrítica e o julgamento são formas de tratar a si mesmo. Podemos começar observando tais pensamentos, sua frequência, seus padrões. Podemos também incluir outras formas mais amorosas e mais gentis de falar consigo mesmo.

Bibliografia:

Hoffman, Bob (1991). O desvendar do amor. São Paulo: Cultrix

Neff. K. (2011). Self Compassion: stop beating yourself up and leave insecurity behind. NY: Harper Collins

Paul, M. Disponível em https://www.powerofpositivity.com/4-ways-to-fill-the-20ptiness-in-your-life/?c=PoPInspiration