O que fazer com essa sensação de vazio?

    Muitas pessoas sentem uma sensação de vazio. É assim, como se algo nos tivesse faltando. Muitos de nós sentimos assim em alguns momentos da vida, outros de nós permanentemente. Procuramos em vários lugares preencher esse vazio: na comida, nos relacionamentos amorosos, em viagens, comprando sapatos ou relógios. E muitas vezes não conseguimos identificar exatamente por que nos sentimos assim. Colocamos a culpa naquela rejeição, ou na falta de propósito da vida, no tédio, por não termos um número suficiente amigos, ou por inúmeros outros motivos. Mas continuamos sem saber sobre esse vazio, essa sensação de que algo nos falta. Uma sensação tão humana e ao mesmo tempo tão incômoda.

    O autor americano Bob Hoffman nos ensina que no núcleo do vazio, encontra-se uma falta de amor por si mesmo. Um artigo publicado no HuffingtonPost.com, escrito por Margaret Paul, vai além: “Há apenas uma coisa que realmente preenche o vazio: o amor. Há apenas uma causa para este vazio interior: a falta de amor. Mas não é uma falta de amor de outra pessoa que faz com que o seu vazio seja preenchido. O vazio interior é causado pelo autoabandono, por não amarmos a nós mesmos “.

    Aristófanes, um dos participantes do famoso diálogo platônico escrito por volta de 380 a.C. O Banquete, diz que no início dos tempos os homens eram seres completos: possuiam duas cabeças, quatro pernas, quatro braços, o que permitia a eles um movimento circular muito rápido para se deslocarem. Zeus resolveu castigar os homens por sua rebeldia contra os Deuses e tomou na mão uma espada e cindiu todos os homens, dividindo-os ao meio. Dessa forma, os homens sairam à procura da sua outra metade. Tendo assumido a forma que nós temos hoje, os homens procuram, pois a saudade nada mais é do que o sentimento de que algo nos falta, algo que era nosso antes e que agora nos falta.

    A sensação de vazio, portanto, já era descrita na época “antes de Cristo”. O Banquete de Platão evidencia esta parte dos seres humanos que estão em busca daquilo que falta e que muitas vezes procuramos em um relacionamento amoroso, na busca por nossa metade complementar. Mas agora, nós sabemos que nenhum homem ou nenhuma mulher fará nossa sensação de vazio ser curada. A cura para o nosso vazio estaria, segundo Hoffman e Paul, em nosso próprio amor.

    Temos todas as razões do mundo para amar a nós mesmos, agora mais do que nunca. Mas quando se trata de se engajar neste exercício, ficamos sem saber o que fazer. Para nos ajudar nesta habilidade, Paul sugere algumas práticas:

  • Olhar no fundo dentro de si para entender o que sentimos, isso pode se dar através da prática da meditação. É preciso coragem para olhar de frente as nossas feridas e aprendermos a amar nossas cicatrizes, mas este é um passo necessário no caminho para o amor próprio.
  • Podemos tomar uma decisão: fazer uma escolha de continuar a amar a nós mesmos não nos importando o que as pessoas pensam de nós, quais os erros que cometemos, ou quais caminhos tomamos na vida.
  • Nos envolver em atividades que nos faz sentir bem.

Eu acrescentaria um mais um item, a partir dos estudos da ciência da compaixão:

  • Observar a forma como nos tratamos. A autocrítica e o julgamento são formas de tratar a si mesmo. Podemos começar observando tais pensamentos, sua frequência, seus padrões. Podemos também incluir outras formas mais amorosas e mais gentis de falar consigo mesmo.

Bibliografia:

Hoffman, Bob (1991). O desvendar do amor. São Paulo: Cultrix

Neff. K. (2011). Self Compassion: stop beating yourself up and leave insecurity behind. NY: Harper Collins

Paul, M. Disponível em https://www.powerofpositivity.com/4-ways-to-fill-the-20ptiness-in-your-life/?c=PoPInspiration

 

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